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Tirar a cera do ouvido é prejudicial? Entenda a importância do cerúmen

A ciência adverte: melhor não remover a cera, sob risco de prejudicar o sistema auditivo. Com o nome oficial de cerúmen, a secreção pode ser bastante repugnante, dando-nos o reflexo de retirá-la. Existem até tradições culturais diferentes para o ato – na Ásia, limpar as orelhas de alguém é considerado um sinal de afeto, enquanto os antigos romanos tinham pinças especiais para isso, e os escandinavos, palitos para outro.

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A compulsão pode até ser comum a vários grupos humanos, mas há um motivo para a substância permanecer ali. O cerúmen é formado por óleo, suor e células mortas da pele, com porcentagens variadas em cada indivíduo. A pele das orelhas cresce constantemente, eliminando seções mortas, que viajam do ouvido externo para o ouvido interno por meio de suor e óleo.

Composição, diferenças e doenças

O suor, que dá à cera parte de seu cheiro, vem das glândulas apócrinas, presentes também nos mamilos, axilas e virilha. O óleo vem das glândulas sebáceas, que envolvem os folículos pilosos no canal auditivo externo. A quantidade produzida influenciará a viscosidade e a textura dos aglomerados da substância. É daí que vêm os diferentes tipos de cerúmen, que vão dos secos e escamosos aos espessos e pastosos, como cera ou manteiga, variando também na cor e no cheiro.

Essas diferenças são genéticas, sendo a cera mais úmida mais comum em populações de ascendência européia e africana, enquanto a cera seca é mais prevalente no leste da Ásia. O cerume mais aquoso, de acordo com um estudo da Nature de 2006, é dominante, enquanto o cerume seco é mais recessivo. Não há associação evolutiva para essa mudança, ou seja, a consistência da substância não confere vantagens à saúde, mas há alguma relação com o clima: a cera úmida é mais comum em regiões mais quentes.

A cera não muda de tipo, mas à medida que envelhecemos, as glândulas produzem menos óleo e suor e a pele fica mais seca, o que pode tornar a cera um pouco menos úmida e quebradiça. Quando estamos com gripe, resfriado ou alergia, podemos sentir que os ouvidos parecem “entupidos”, mas isso se deve ao acúmulo de líquidos devido ao inchaço dos tubos que ligam os ouvidos e a garganta, pois, junto com o nariz, eles formam caminhos compartilhados.

A maioria das infecções não afeta a secreção, mas condições mais graves, como otite externa, ferimentos graves na cabeça e tímpano rompido, podem deixá-la com a consistência do pus líquido que ocorre quando o fluido de um ouvido médio infectado se mistura à cera. Contém proteínas antibacterianas e antifúngicas, prevenindo infecções e tornando o ambiente ácido o suficiente para repelir micróbios.

benefícios do cerume

Viscoso, o cerúmen deixa o interior das orelhas úmido, sendo um lubrificante protetor natural. É como as substâncias oleosas da pele, que impedem que o tecido fique muito seco. Sem a cera, nossos ouvidos coçariam, fazendo com que irritássemos a pele do canal ou até mesmo a rompesse, deixando entrar bactérias e outras infecções. Além disso, captura grãos de poeira e outras partículas que poderiam entrar no ouvido interno.

Recomendamos não retirar a cera de dentro do ouvido em casa, inclusive com cotonetes flexíveis — eles podem acabar empurrando a cera ainda mais fundo, piorando a situação. O ideal é usar óleos minerais ou soluções salinas em gotas para ajudar a amenizar o corrimento e permitir que ele saia sozinho. Se isso não funcionar, é melhor contar com a ajuda de um profissional.

Às vezes, você precisa visitar um otorrinolaringologista para remover o excesso de cera, que pode causar zumbido (também conhecido como chiado ou zumbido) ou prejudicar sua capacidade auditiva. Fora essas situações, não há motivos para cutucar o canal auditivo, então é melhor não fazer nada por conta própria: na dúvida, prefira sempre consultar o seu médico.

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