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O Mármore Azul | Quanto a Terra mudou 50 anos após a foto icônica?

Em 1972, os astronautas da Apollo 17 tiraram a foto icônica chamada The Blue Marble (ou “bola de gude azul”), mostrando a Terra vista do espaço e se tornando uma das fotos mais reproduzidas da história. A imagem também se tornou um símbolo do ativismo ambiental na década de 1970 e, meio século depois, a NASA fez um retrato do nosso planeta semelhante ao original, revelando o quanto nosso mundo mudou desde então.

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Além de ser um registro histórico, o Mármore Azul possui algumas peculiaridades. Esta foi a primeira vez que a Antártida apareceu em qualquer fotografia espacial do nosso planeta. Além disso, a imagem partiu da tradicional priorização da Europa e América do Norte no globo, enfatizando a África e o Oriente Médio.

História fotográfica da Terra vista do espaço

Desde a década de 1940 temos fotos da Terra tiradas do espaço, sendo que as primeiras foram clicadas em voos suborbitais e ainda em preto e branco. As imagens coloridas começaram a surgir no início dos anos 1960, mas nenhuma capturou o globo inteiro – até que a imagem do satélite ATS-3 o fez em 1967.

Outras capturas famosas incluem as da missão Apollo 8, a primeira a levar astronautas à órbita lunar, em 1968. Entre elas está a lendária Earthrise (“Earth Rise”, em analogia com o nascer do sol, que é “sunrise” em inglês).

Com a grande popularidade desses registros, a NASA decidiu encerrar o Programa Apollo em grande estilo, pedindo aos integrantes da Apollo 17 que produzissem a imagem que mais tarde ficaria conhecida como Blue Marble.

O Mármore Azul, 50 anos depois

Cinco décadas depois, o Deep Space Climate Observatory (observatório espacial localizado a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra) reproduziu a imagem sob o mesmo ângulo, permitindo comparar nosso planeta de um lado para o outro.

A nova fotografia já mostra os impactos das mudanças climáticas, intensificadas nas últimas décadas. Pode ser difícil diferenciar entre gelo e nuvens na imagem, mas é notável que a Antártica tenha perdido uma grande quantidade de material nesses 50 anos. A neve nas montanhas do Golfo Pérsico também não é mais vista, embora isso também possa ser atribuído a variações sazonais.

A mudança mais marcante, no entanto, é a grande redução da cobertura verde entre os trópicos no continente africano. As florestas da região começam agora centenas de quilômetros ao sul, o que condiz com a desertificação da região, já apontada em diversos estudos.

A ilha de Madagascar passou por mudanças semelhantes: o que era predominantemente verde agora é visto em marrom, como resultado das mudanças no uso da terra na área. A ilha é um grande hotspot de biodiversidade, lar de muitas espécies de plantas e animais que só existem ali.

O resultado da comparação frustraria os movimentos ambientalistas que adotaram o Mármore Azul como símbolo da causa na década de 1970, quando foi derrubado. O que fica para os tempos atuais é a missão de acabar com a degradação do planeta — assim, quando a icônica imagem completar 100 anos, quem sabe a “bola de gude azul” volte a ter mais cor.

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